Com o grande aumento de Tablets, Smartphones e Leitores Digitais, não há sombra de dúvida que o livro digital chegou, e com certeza vai ficar! E o formato ePub vem cada vez mais se tornando o formato padrão para os Ebooks.
Primeiramente, você deve saber que há vários formatos de livro digital, um grande da área é o PDF e você conheçe ele, entretanto, porque não usar o PDF para criar um livro digital?
O PDF tem suas vantagens, até mesmo aquela pessoa que te perguntaria como desligar o computador sabe abrir um arquivo em PDF, e de certa forma ele é muito bom. Você pode colocar imagens e textos do jeito que quiser, entretanto, já tentou ler um arquivo em PDF em um Smartphone? É horrível, com todas as palavras. Porque? Simplesmente você tem que dar zoom in e out a cada linha de texto, ou então tentar achar uma posição e ler tudo em um tamanho de letra extremamente pequeno.. e há quem diga, isso irrita!
O que acontece é que o PDF é baseado no tamanho de uma folha A4, então se você lê um arquivo no computador com seu monitor de 14" não haverá problema nenhum. Mas isso no mundo digital não faz sentido, porque o melhor é que o que vamos ver se adapte ao formato que estamos utilizando, o arquivo tem que se adaptar a área de visualização que temos disponível.
Agora sim, ePub
ePub é a abreviação de Eletronic Publication, ou seja, Publicação Eletrônica. É um formato de livro aberto e gratuito criado pelo IDPF, um fórum internacional de publicação digital. Os livros desse formato são adaptáveis, ou seja, não importa se você abrir ele em um Tablet, Smartphone, ele vai se adaptar ao tamanho da sua tela, e a experiência de leitura será muito melhor, mas claro, se você tiver o aplicativo para a abertura do arquivo. Para saber mais sobre os aplicativos e vantagens do ePub leia o artigo Como Ler Um Livro Digital.
Edição
Agora que você sabe como ler um arquivo em ePub e porque usá-lo, vamos descobrir como é um livro digital. Peguei um exemplo criado pela Dani Guerato, escritora do site Tableless.
Para baixar o arquivo Clique Aqui. Será necessário o programa Sigil para abrir no computador.
Faça o download do Sigil. Clique Aqui.
A extensao ePub é um formato de livros compactado. Faça o teste: se você renomear o arquivo de meulivro.epub para .zip ou .rar você conseguirá ver o conteúdo do arquivo. No entanto, é bom ter isso gravado, não são todos os softwares editores que estão preparados para salvar nesse formato.
Bom vamos explorar os arquivos.
Ao descompactar o arquivo e abrir com o Sigil você verá os seguintes arquivos
arquivo mimetype
pasta META-INF
- container.xml
pasta OEBPS
- content.opf
- toc.ncx
- style.css
- título.html
- capítulo1.html
- capítulo2.html
Mas para que serve tudo isso e como eu crio sozinho?
Mimetype
A função do mimetype é informar ao sistema operacional qual é o tipo do arquivo. O mimetype é um simples arquivo de texto ASCII. Para criar um mimetype basta abrir qualquer editor, pode ser um bloco de notas até, e escrever esta linha de código:
application/epub+zip
Salve como mimetype, não coloque nenhuma extensão, e pronto! O mimetype é igual para qualquer ePub, se você copiar de um outro ePub dá certo também.
Container.xml
Deve ficar dentro da pasta META-INF. A função deste arquivo é agregar todos os outros. Vamos criar um!
[cc escaped="true" lang="xml"]
<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<container xmlns="urn:oasis:names:tc:opendocument:xmlns:container" version="1.0">
<rootfiles>
<rootfile full-path="OEBPS/content.opf" media-type="application/oebps-package+xml"/>
</rootfiles>
</container>
[/cc]
Content.opf
Descreve o conteúdo de todos os arquivos. Apesar da extensão esquisita é só criar um xml e depois salvar como ".opf" sem aspas. É composto das seguintes partes: metadata, manifest e spine. O esqueleto dele é assim:
[cc escaped="true" lang="xml"]
<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<package xmlns="http://www.idpf.org/2007/opf" unique-identifier="EPB-UUID" version="2.0">
<!- insira os parâmetros aqui ->
</package>
[/cc]
Metadata
Não tem muito segredo aqui. São as informações do seu livro.
Itens obrigatórios:
- title - O título do seu livro
- language - A língua utilizada. Como o livro está em português, então, pt-br.
- identifier- Um código único para o seu livro. Pode ser o ISBN, por exemplo.
Itens opcionais:
- creator - O criador, no caso, você.
- contributor - Contribuidor
- publisher - Editora
- subject - Assunto
- description - Descrição do livro
- data - Data
- type - Tipo
- format - Formato
- source - Fonte
- relation - Relação
- coverage - Cobertura
- rights - O tipo de licença. Creative Commons, por exemplo.
Bom, vamos preencher nossas metadatas. Foi inserido o seguinte entre as tags package:
[cc escaped="true" lang="xml"]
<metadata xmlns:opf="http://www.idpf.org/2007/opf" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/">
<dc:title>Saga do primeiro ePub</dc:title>
<dc:creator opf:role="aut" opf:file-as="Dani">Dani</dc:creator>
<dc:date opf:event="original-publication">2012</dc:date>
<dc:publisher>Tableless</dc:publisher>
<dc:date opf:event="epub-publication">2012-01-30</dc:date>
<dc:subject>Primeiro ePub</dc:subject>
<dc:subject>Estudos</dc:subject>
<dc:source>Tableless</dc:source>
<dc:rights>Pode copiar galera!</dc:rights>
<dc:identifier id="EPB-UUID">minhaid</dc:identifier>
<dc:language>pt-br</dc:language>
</metadata>
[/cc]
Manifest
É um manisfesto mesmo. Deve conter a lista de todos os arquivos da sua publicação (em qualquer ordem). Exceto mimetype, container.xml e content.opf
É necessário especificar uma ID única para cada arquivo. Você pode inserir estas informações antes ou depois da metadata. O importante é que esteja também dentro da tag package. No caso do nosso livro-tutorial ficou assim:
[cc escaped="true" lang="xml"]
<manifest>
<!- Documentos ->
<item id-"titulo" href="titulo.html" media-type="application/xhtml+xml" />
<item id="capitulo1" href="capitulo1.html" media-type="application/xhtml+xml" />
<item id-"capitulo2" href="capitulo2.html" media-type="application/xhtml+xml" />
<!- CSS Style Sheets ->
<itemid="main-css" href="style.css" media-type="text/css"/>
<!- NCX ->
<item id="ncx" href="toc.ncx" media-type="application/x-dtbncx+xml"/>
</manifest>
[/cc]
Spine
A espinha do livro, ou seja, a ordem de leitura. Aqui você deve colocar apenas os arquivos tipo html na ordem que você deseja que apareça no livro, chamando cada um pelo ID que você definiu no manifesto. Tome cuidado para não duplicar nenhum arquivo ou ID. Como você já adivinhou, deve ser inserido entre as tags package também.
[cc escaped="true" lang="xml"]
<spine toc="ncx">
<itemref idref="titulo" linear="yes"/>
<itemred idred="capitulo1" linear="yes"/>
<itemred idred="capitulo2" linear="yes"/>
</spine>
[/cc]
toc.ncx
TOC é ums sigla para
Possui a seguinte estrutura:
#head
- uid - O identificador único em content.opf
- depth - Níveis do sumário >= 1
- totalPageCount - To 0
- maxPageNumber - To 0
#navMap
O sumário em si
#navPoint
- id - Único do arquivo
- playOrder - Ordem de navegação (iniciando em 1)
O nossos índice ficou assim então:
[cc escaped="true" lang="xml"]
<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<!DOCTYPE ncx
PUBLIC "-//NISO//DTD ncx 2005-1//EN" "http://www.daisy.org/z3986/2005/ncx-2005-1.dtd">
<ncx xmlns="http://www.daisy.org/z3989/205/ncx/" version="2005-1">
<head>
<meta name="dtb:uid" content="idteste"/>
<meta name="dtb:depth" content ="3"/>
<meta name="dtb:totalPageCount" content="0"/>
<meta name="dtb:maxPageNumber" content="0"/>
</head>
<docTitle>
<text>Saga do primeiro ePub</text>
</docTitle>
<docAuthor>
<text>Dani</text>
</docAuthor>
<navMap>
<navPoint id="titulo" playOrder="1">
<navLabel>
<text>Titulo</text>
</navLabel>
<content src="titulo.html"/>
</navPoint>
<navPoint id="capitulo'" playOrder="2">
<navLabel>
<text>Capitulo 1</text>
</navLabel>
<content src="capitulo1.html"/>
</navPoint>
<navPoint id="capitulo2" playOrder="2">
<navLabel>
<text>Capitulo 2</text>
</navLabel>
<content src="capitulo2.html"/>
</navPoint>
</navMap>
</ncx>
[/cc]
Os capítulos
É aqui que entra o livro em si. Cada capítulo deve ficar em um HTML separado. Estes arquivos não são nada diferentes de HTMLs comuns:
[cc escaped="true" lang="xml"]
<html xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml" xml:lang="pt">
<head>
<meta http-equiv="Content-Type" content="application/xhtml+xml/ charset=utf-8" />
<title>Capitulo 1</title>
<link href="style.css" rel="stylesheet" type="test/css" />
</head>
<body>
<div>
<h3>Capitulo1</h3>
<p>Hello World! Este é o primeiro capítulo do nosso livro. Yey!</p>
<pLorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipisicing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Ut enim ad minim veniam, quis nostrud exercitation ullamco laboris nisi ut aliquip ex ea commodo consequat. Duis aute irure dolor in reprehenderit in voluptate velit esse cillurn dolore eu fugiat nulla pariatur. Excepteur sint occaecat cupidatat non proident, sunt in culpa qui officia deserunt mollit anim id est laborum</p>
</div>
</body>
</html>
[/cc]
Outros tipos de arquivos:
Css - Uma folha de estilos normal.
Pasta images - Aqui devem ficar as imagens do livro. Formatos permitidos: jpeg, png, gif e svg+xml
Pasta fonts - Utilize esta pasta se você quiser embedar algum arquivo de fonte no seu documento. Lembre-se de utilizar sempre o formato Open Type pois alguns aplicativos de leitura não suportam True Type.
E agora? É só compactar!
Selecione todos os arquivos e crie um arquivo compactado, zip ou rar. Depois é só renomear para .epub e ler no seu dispositivo Tablet, iPad, iPhone, Smartphone, eReader, etc... Pronto! Você tem um livro digital!
Conversores automáticos, fique o mais longe possível!!!!!
E com todas as exclamações.
Existem alguns programas que prometem converter de PDF para ePub, não chegue nem perto deles, são piores que editores visuais. Um programa não consegue interpretar um livro da mesma forma que um ser humano, a menos que você diga a ele o que fazer. Se você não dizer: "Ow, isso é um título", ele não tem como fazer essa decisão por você.
Como eu disse no começo do artigo, o PDF é preso a um tamanho fixo, A4. O que significa que as palavras precisam ser hifenizadas. Se você converter automaticamente (além do seu código ser a coisa menos semântica desde os sites feitos em tabelas) os hifens vão continuar lá, criando divisões no me-io das pala-vras on-de não preci-sava! Pense nos números das páginas.... Se o texto flui isso significa que um mesmo livro pode e vai ter uma numeração diferente de acordo com o aparelho utilizado. Mas no caso de conversão automática, os números no pdf vão continuar lá. Os títulos provavelmente vão estar errados também. Fora que muitos deixam marcas como "Convertido pelo programa YYY" em todas as páginas do livro.
Fonte: Tableless - Por: Dani Guerrato
Gostaram? Compartilhe e comente abaixo.

Nenhum comentário:
Postar um comentário